segunda-feira, julho 19, 2010

Umbanda - Esta incompreendida religião





(Sob a minha ótica, criada pelos meus estudos, pesquisas e vivências dentro e fora desta religião, criei uma síntese sobre as razões do surgimento desta religião em solo brasileiro)

O Surgimento da Umbanda



As antigas nações africanas cultuavam divindades ligadas à natureza. Cada divindade tinha o seu campo de atuação (vento, chuva, sol, lua, rios, mar, etc.), assim haviam centenas de orixás no panteão africano. Além disso, conheciam de maneira rudimentar as realidades espirituais (a vida pós morte, magias, curas espirituais, etc.), praticavando-as conforme o próprio grau de desenvolvimento.

O escravismo trouxe muitos espíritos de terras africanas (que tinham débitos passados) para as novas colônias, na condição de escravos.

Estes escravos traziam em sua bagagem cultural toda a sua religiosidade.

Grupos de varias nações foram colocados em senzalas comuns, na intenção de enfraquecer qualquer tentativa de fuga ou rebelião, já que as nações tinham dialetos e culturas diferentes. Aos poucos estas nações, foram se entendendo por necessidades comuns. E, aquilo que mais aproximavam umas das outras eram as formas de louvação à natureza, os orixás. Desta fusão de culturas, restaram apenas algumas dezenas de orixás comuns a todas as nações. Práticas religiosas foram sendo criadas ou misturadas para que todas as nações pudessem praticar juntas as suas religiosidades.

Muitos negros morreram devido aos inúmeros conflitos surgidos pela escravidão. Espíritos desencarnavam jurando vinganças. O ódio pelos brancos era cada vez mais aguçado e iniciaram as práticas da chamada magia negra, para vingarem dos seus "senhores".

Neste mesmo tempo, os brancos tentaram em vão escravizar os indígenas, também. Milhares de índios foram exterminados, engrossando a turma de espíritos vingativos.

Os brancos, com medo dos rituais que surgiam, trataram de colocar a igreja no meio da questão. Então, exigem que os negros deixem de lado os cultos tidos como pagãos em detrimento da santa religião. Como os negros não queriam afastar-se de seus orixás, mas obrigados a cultuarem os santos católicos, criam associações entre os orixás e os santos, na tentativa de conservarem o culto dos orixás, escondidos sob o culto aos santos. Surge aí o sincretismo religioso.

No lado espiritual, a situação é cada vez pior, pois a vingança gerava mais e mais vinganças. Negros prejudicavam brancos, através das feitiçarias, trazendo doenças, desgraças, etc. Os brancos geravam mais ódio e o ciclo era interminável.

Os espíritos de índios também contribuíam com a parcela de magias e vinganças.

Apesar dessa situação, alguns abnegados espíritos, "desciam" em vestimentas de escravos, para tentar elevar o padrão vibratório de seus irmãos. Em sabias e humildes lições, eles passavam conceitos de perdão, resignação e fé no futuro.

Era uma tentativa de abrandar corações e "quebrar" o ciclo vicioso de ódios.

A decretação do fim da escravidão, em todas as colônias, foi uma das maneiras de minimizar as dívidas contraídas.

Apesar disso, o negro liberto continuou com as suas práticas e com ritos distorcidos, já que estavam associados simbioticamente com os seus irmãos desencarnados, alimentando os antigos desafetos.

A aproximação entre brancos, negros e índios, criaram várias formas de culto. Muitas práticas ritualísticas, estavam totalmente distorcidas, distanciadas do verdadeiro sentido de uma religião.

Surgem no final do século dezenove, as chamadas "macumbas" que eram sessões de evocações a espíritos ancestrais e magias negras. Como existia um instrumento de percussão de origem africana, chamado de macumba e o tocador era chamado de macumbeiro, logo associaram o nome "macumba" a estas praticas de contato com o baixo astral.

Nesta mesma época, surge na Franca, sob a "mão" de Allan Kardec, a Doutrina dos Espíritos que é um conjunto de conceitos sobre a realidade espiritual. O Espiritismo surgiu com o claro objetivo de ligar o homem "moderno" a Deus, alavancando-o espiritualmente.

Os espíritos elevados que auxiliam a humanidade, trouxeram esta "boa nova" para as terras do novo continente, com o objetivo de preparar para o porvir o "homem da nova era".

Apesar da força que o Espiritismo ganha e com o numero crescente de adeptos nas terras brasileiras, não é possível, por várias razões, atingir a massa popular que já estava ligada a cultos fetichistas e de baixa condição vibracional.

Surge então a necessidade de criar condições para quebrar definitivamente o ciclo vicioso de ódio e vingança. Para isso, uma organização de espíritos, sob a aprovação do "Governador Espiritual", Jesus Cristo, através das próprias práticas aos orixás, cria condições de elevar o padrão vibratório daqueles que ainda se atrasam nas lides espirituais.

Esta organização é formada, também, por antigos espíritos de escravos, índios e brancos, envolvidos anteriormente na criação do ciclo vicioso.

Surgem os candomblés, que já é uma prática de louvação aos orixás.

No inicio do século vinte, precisamente em 1908, através de um jovem de 17 anos, chamado Zélio de Moraes, manifesta-se, em plena Federação Espírita do Niterói, um dos espíritos responsáveis pela criação de uma nova religião.

Este espírito se auto denomina de Caboclo das Sete Encruzilhadas e dita as bases da nova religião : a Umbanda. Segundo o Caboclo seria uma religião voltada a Deus, através da prática de caridade e atingia a todos, desde pobres e humildes até os mais abastados.

Proíbe a pratica de magia-negra, o uso de sacrifícios. Determina que os espíritos que irão "baixar" nos aparelhos utilizem-se das roupagens fluídicas de Caboclos, Pais-Velhos e Crianças, além dos Exus.

Simbolicamente os caboclos representam o vigor, os pais-velhos a sabedoria e a humildade e as crianças a pureza.

Como na natureza não há saltos, a Umbanda tem um enorme trabalho.

A primeira etapa é abarcar a tudo e a todos, ou seja, todos aqueles rituais distorcidos seriam extintos e todas as pessoas de todos os povos poderiam adentrar na Umbanda.

A segunda etapa seria unificar as práticas religiosas, no intuito de dar homogeneidade na forma de cultuar a Deus e seus emissários, os Orixás.

A Umbanda não tem, como o Espiritismo, uma codificação escrita. Ela recebeu, devido a todo o tipo de prática e todo o tipo de povo, influências do catolicismo, budismo, cultos afros e do próprio Espiritismo.

Como linhas mestras doutrinárias, a Umbanda tem como fundamentos :

- Crença num Deus Único
- Crença numa hierarquia elevadíssima de espíritos que denominamos de Orixás
- Crença na reencarnação
- Crença na eternidade da alma
- Crença na mediunidade e na comunicação com os espíritos
- Crença na evolução espiritual (e as diferentes classes de espíritos)
- Crença na Lei da Causa e Efeito (ou Lei do Retorno)

Existe uma organizaçãoo hierarquizada na Umbanda. Basicamente a hierarquia está dividida em :

Os Orixás dividem-se em Sete Linhas da Umbanda.

Em razão da fase inicial que a Umbanda se encontra, existe muita confusão sobre os nomes e a quantidade de Orixás, mas, eu considero como principais Oxalá, Oxossi, Ogum, Xangô, Yemanjá, Obaluaiê, Oxum, Yansã, Nanã e Ibeji

Sob esta hierarquia, os espíritos manifestam-se com as formas já mencionadas. Existem "cargos" de chefias de grupos, subgrupos, falanges, sub falanges, etc.

Os espíritos usam aquelas roupagens fluídicas por não haver necessidade de identificação do que foram nas encarnações passadas, "anulam" o individual em detrimento ao coletivo.

Não necessariamente estes espíritos que "baixam" como caboclos, por exemplo, foram silvícolas numa ultima encarnação. Eles usam esta roupagem por serem grandes conhecedores da natureza, mas, podem já terem encarnado em diversos locais do globo.

O que dá a força à Umbanda e ao mesmo tempo a enfraquece é justamente a influência de outros credos e filosofias de cunho religioso. Segue-se uma estrutura comum de crenças, mas não há uma uniformidade na prática umbandista. Esta é uma razão pela qual a Umbanda é tão incompreendida.
 

3 comentários:

Maria José disse...

AMIZADE
Não é receber, é dar.
Não é magoar, é incentivar.
Não é descrer, é crer.
Não é criticar, é apoiar.
Não é ofender, é compreender.
Não é humilhar, é defender.
Não é julgar, é aceitar.
Não é esquecer, é perdoar.
Amizade..
É simplesmente AMAR.
Feliz dia da amizade.

Jose Ramon Santana Vazquez disse...

...traigo
sangre
de
la
tarde
herida
en
la
mano
y
una
vela
de
mi
corazón
para
invitarte
y
darte
este
alma
que
viene
para
compartir
contigo
tu
bello
blog
con
un
ramillete
de
oro
y
claveles
dentro...


desde mis
HORAS ROTAS
Y AULA DE PAZ


TE SIGO TU BLOG




CON saludos de la luna al
reflejarse en el mar de la
poesía...


AFECTUOSAMENTE
ESPIRITUAIS VIVENCIAS

ESPERO SEAN DE VUESTRO AGRADO EL POST POETIZADO DEL FANTASMA DE LA OPERA, BLADE RUUNER Y CHOCOLATE.

José
Ramón...

Patrícia Melo disse...

Adorei este post, é muito esclarecedor.
Parabéns pelo blog, gostei muito.
Abraço fraterno, namastê!

Related Posts with Thumbnails